Os adeptos da terapia Bioenergética consideram que existe uma forma de
energia particular que cria uma interação entre o corpo e o espírito,
governando os estados físico e mental. Ainda não foi possível medir essa força,
mas, ela é também conhecida como “QI”, “PRANA”, “Força Vital”, “Vitalismo”,
etc.
O conceito da existência de uma energia única que une o corpo e o
espírito constitui um dos fundamentos de terapias orientais como a Yoga, o
Tai-chi-chuan e a acupuntura.
Os praticantes da Bioenergética crêem que os problemas psicológicos, o
stress, as atitudes negativas e as emoções como a ira e o medo, têm uma
influência sobre a maneira de se sentar, de se manter em pé, de se mover ou de
respirar.
O objetivo da Bioenergética é, antes de tudo, ajudar as pessoas a tomar
consciência de suas posturas, de suas atitudes de “blindagem” e das emoções
associadas a essas posturas e atitudes.
Pela a prática de certos exercícios, as pessoas aprendem a liberar a
couraça muscular, de modo a permitir que o corpo funcione livremente e
naturalmente.
Além disso, a Bioenergética dá muito mais importância ao crescimento
pessoal que à cura das doenças. Servindo, assim, para o aprofundamento do
conhecimento que as pessoas têm delas mesmas. Existem aqueles que praticam a
Bioenergética para se manter em forma e outros que a utilizam com o objetivo de
elevar a auto-estima, desenvolvendo uma atitude positiva em relação ao próprio
corpo.
Temos então pela Bioenergética os tipos de couraças que vão se formando no corpo, conforme vamos represando nele nossas emoções, estas podem começar desde nosso nascimento e serem adquirida o longo da vida conforme vamos reprimindo-as. Segue abaixo:
Couraças Musculares - 7 Segmentos Corporais
1. OCULAR: complexo, compreende cérebro, audição e
visão.
Os olhos como espelho da alma, traduzem o que ocorre no nosso interior e
servem para estabelecer o primeiro contato que se inicia com a mãe durante a
amamentação. Têm a função de contato, impressividade e expressividade.
O encouraçamento deste segmento pode se expressar como desatenção, cefaleias,
fotofobia, falta de contato, disfunções do movimento ocular. Principal emoção
contida: MEDO.
2. ORAL: A boca é o sistema equilibrador de todo nosso
sistema energético, possibilitando o segundo ato vital do ser humano que é a
sucção. Na fase oral, o contato com o seio materno serve como matriz emocional
que vai se refletir em toda a vida do indivíduo. No adulto, a boca tem função
nutritiva, expressiva e de vocalização.
Couraças neste segmento podem se expressar pela contração e tensão
excessiva dos músculos mastigatórios como bruxismo noturno (ranger os dentes
dormindo) e distúrbios da ATM (articulação têmpora-mandibular). Principal
emoção contida: RAIVA
3. CERVICAL: O segmento cervical serve de ponte e
ligação entre a cabeça - pensamento e consciente e o corpo-desejos e vontades -
inconsciente. Inclui músculos da fala, deglutição, sustentação e movimentos da
cabeça, glândula tireoide. A postura da cabeça e pescoço expressam a forma em
que a pessoa se coloca no mundo: orgulho, submissão, ameaça etc. A vocalização
indica como a pessoa expressa suas emoções, relacionando-se com o ambiente.
Principal emoção contida: NARCISISMO.
Sintomas e encouraçamento englobam: alteração do timbre da voz, sensação
de "bolo" na garganta, tosse nervosa, dificuldade de chorar e gritar,
distúrbios posturais, torcicolos, cefaleias de origem cervical, artrose cervical.
Choros e gritos contidos, bem como "nãos" não ditos contribuem para o
encouraçamento deste segmento.
4. TORÁCICO: Ligado à vitalidade da pessoa, ao
importante processo da respiração e a órgão vitais de troca energética entre o
meio interno e externo (caixa torácica e pulmões). Representa a forma em que a
pessoa entra em contato com o meio externo e sociedade e sua capacidade de amar.
A respiração alterada por encouraçamento neste segmento pode ser
expressa através da dificuldade para expirar (botar o ar para fora) e consequentes
deformidades torácicas como o peito inflado, doenças respiratórias como asma.
Nestes casos, o indivíduo se defende do contato com o meio externo e têm medo
ou pânico de sair de sua segurança ilusória.
No caso da dificuldade de inspirar (botar o ar para dentro), o indivíduo
por pena de si mesmo, tristeza ou insegurança, tem medo do contato com o meio
externo, estando sujeito a distúrbios pulmonares como pneumonias e
atelectasias.
Musculatura do ombro (trapézio, escaleno e ECOM) excessivamente tensa e
contraída pode estar relacionada ao excesso de medo ou de pressões do
cotidiano, associado geralmente a anteriorização da cabeça, pois se tem que se
seguir em frente. Principal emoção contida: CHORO.
Uma pessoa com a parte anterior do tórax fechada e encurtada associada a
um arqueamento exagerado das costas (hipercifose torácica ou corcunda) se
relaciona, segundo Lowen, ao excesso de medo do contato e à raiva contida.
Através da respiração, exercícios visando alongar a musculatura
encurtada e reequilibrar a alongada, propiciamos o desbloqueio desta couraça,
abrindo seu coração e sua autoconfiança e a capacidade de amar.
5. DIAFRAGMÁTICO: Está diretamente relacionado à
respiração e às emoções. Órgãos: diafragma, fígado, vesícula, estômago e
duodeno.
6. ABDOMINAL: Órgãos: músculos abdominais, intestinos e
rins.
Relaciona-se às emoções e sensações mais primitivas. Sintomas de
encouraçamento incluem: musculatura abdominal flácida ou hipertônica, gerando
quadros de dores lombares e/ou hiperlordose lombar (excesso da curvatura da
coluna lombar), prisão de ventre ou diarréia, bloqueio da passagem de energia
da pelve para o coração.
7. PÉLVICO: Tem a ver com a sexualidade humana e com a
maneira em que se relaciona e transforma essa energia. A energia sobe pelos
pés, pernas, chegando à pelve. A forma de contato dos pés e pernas com o chão indica
o grau de estabilidade, segurança e independência do indivíduo. Joelhos
levemente dobrados (fletidos) e dedos em garra indicam pessoas muito terra e
com dificuldades de abstrair, ousar ou criar. O contrário, ombros como se
fossem ombreiras, altos, e dificuldade de colocar o calcanhar no chão
refletiriam dificuldades de encarar o aqui e agora, de "aterrar".
A pelve constantemente contraída (em retroversão) estaria relacionada
com a perda constante de energia sexual, implicando na falta de energia para
realizações.
Já o famoso "bumbum empinado" (com a pelve em anteroversão)
seria um indicativo de excesso de energia sexual não canalizada por
frustrações, medo ou raiva.
Lowen, Alexander - Bioenergética (1975) - São Paulo, Ed. Summus, 6ª
edição 1982.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixem aqui apenas aquilo que vocês tem de melhor...